sexta-feira, julho 28, 2006

Poetar, viver














Hoje resta apenas a poesia,
aquela grafada no tempo dos versos livres,
em rima pobre e métrica inesperada,
inigualavelmente composta na minha
incapacidade de saber vivê-la.

Porque a poesia que não sei sentir,
tem o toque do vento sentido na brisa
e o sopro suave da voz dos amantes,
que minha alma largou pela vida.

Porque a poesia que não sei sorrir,
tem o riso desmedido das horas liquidas
que eram curtas demais para o tanto a se dizer
e que deixaram de ser vividas.

Porque é dessa poesia que escrevo,
aquela que se rascunha sobre o que se deixou de ser,
por não saber ser, ou por não querer
simplesmente ser.
Essa é a poesia que não sei viver.