terça-feira, outubro 18, 2005

Ausência



Redigir em parágrafo ou estrofe,
eis a velha questão.
Queria mais é a prosa, e digo sem dó.
Hoje cheguei a esta conclusão.

Poemas, os crio com apenas um intento:
tapear a ausência do contentamento.
Esta é sua sublime missão.

Assim, parte a rima sobre o que não há,
o que não existe.
Como panacéia de alma,
avante na defesa do que mais sinto falta.

- Para todos os outros palavrórios
existe mastercard.

segunda-feira, outubro 17, 2005

Shadow & I



Na espera
d´aquele
Que sei, sem saber
Que pouco foi
Sem mim

Esperança
No tanto
Sonho rouco
Riso tolo
Ombro, enfim

Na espera
Do desejo
Entrega sem regras
A preço de graça
Só assim

Esperança
De saber
Com que dúvida
Acreditarás
Que amas a mim


sexta-feira, outubro 07, 2005

Cântico IV - Cecília Meireles

Tu tens um medo:Acabar.
Não vês que acabas todo dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.